Rio Branco

Nota Técnica do Estudo de Rio Branco

A capital com a segunda cobertura florestal mais alta do país (70,88%), depois de Manaus (Amazonas), é o destaque do projeto Amazônia Legal Urbana. O município de Rio Branco (Acre) encerra o primeiro ano do projeto, que analisou cinco das nove cidades do território (Belém, Macapá, Manaus e São Luís). A análise da formação socioespacial urbana está disponível no paper “Desigualdades Urbana e de Gênero em Tempos de Mudanças Climáticas: Uma Análise Socioespacial de Rio Branco (AC)”.

O estudo objetiva pensar como essas desigualdades estão consolidadas a partir do ordenamento territorial e como é possível dialogar, a partir dos dados, caminhos que tragam equidade, no mínimo, diante da crise climática que está estabelecida nos espaços urbanos. Para isso, a equipe de pesquisadoras do projeto utiliza como metodologia o levantamento de informações socioeconômicas e sociodemográficas por meio da classificação de gênero, raça e etnia das populações residentes em Rio Branco, a exemplo dos dados do Censo 2010 do IBGE.

Nesse levantamento, a equipe analisa, por exemplo, dados relativos à escolaridade, renda domiciliar per capita, esgotamento sanitário, destino do lixo, rede de acesso a água potável, além dos dados relativo às características territoriais do município de Rio Branco, como distritos, bairros e aglomerados subnormais. O estudo, portanto, considera os marcadores sociais raça/etnia e de gênero, uma vez que os mesmo se mostram relevantes para a análise sobre os impactos das mudanças climáticas na realidade dessas populações.

No capítulo “Desigualdades de Raça/Etnia e Gênero e Mudanças Climáticas em Rio Branco”, destaca-se, por exemplo, que negros e indígenas representam a grande maioria da população da capital do Acre, 72,20%, estando, portanto, os grupos mais vulneráveis, como se pode constar no dado relativo ao rendimento mensal, o qual identifica que dos 59% da população que vivem com rendimento mensal de 1/8 até um salário mínimo, 72% são negros, 64,96% são indígenas e 48% são brancos. Na categoria de gênero, a capital do Acre segue o mesmo padrão brasileiro, com um cenário em que a população é formada por mais mulheres do que homens, 51,81% e 48,19%, respectivamente.

Quando o espectro entra na faixa entre 3 e 10 salários mínimos, apenas 9,02% dos rio-branquenses declararam ter essa renda mensal, sendo que destes 5,98% são indígenas, 12,56% são negros e 15,40%, brancos. Ainda nesse capítulo, a equipe de pesquisa analisa os dados sociodemográficos para avaliação do cenário de como as populações estão vivendo no município e é observado o mesmo gradiente étnico-racial e de gênero na ampliação das desigualdades dentro dos contextos estudados. Esses resultados estão detalhados em tabelas, as quais podem ser acessadas no próprio paper de Rio Branco.

Já no capítulo “O Ordenamento Territorial Desigual diante das Mudanças Climáticas”, a análise se aproxima ainda mais sobre as dimensões dos impactos das mudanças climáticas em ambientes urbanos, sobretudo relacionado ao que está estabelecido no Plano Diretor do município. Veja trecho extraído do paper a seguir:

Estruturas criadas como avanço na urbanização da cidade aqui analisadas pelo desafio de desenvolver políticas públicas, capazes de mitigar e efetivar adaptações ao espaço que respondam a crise climática global, que se estabelece com o aprofundamento das mudanças climáticas pelas dimensões: condições extremas: mudanças climáticas – chuvas extremas/ciclones tropicais – impacto em áreas urbanas: inundações mais frequentes, maior risco de deslizamentos de encostas, danos em casas, fábricas e infraestruturas urbanas; mudanças na exposição: mudanças climáticas – mudanças biológicas: impacto em áreas urbanas: aumento de vetores de doenças.

Outro importante destaque apresentado pelo paper “Desigualdades Urbana e de Gênero em Tempos de Mudanças Climáticas: Uma Análise Socioespacial de Rio Branco (AC)”, está relacionado às condições sanitárias e de abastecimento para consumo humano da população de Rio Branco e às dimensões dos aglomerados subnormais, que são 16 no total, que são impactados pelas mudanças climáticas, a partir de todo o processo de desmatamento em curso, de ocupação de uma determinada área do território e de densidade populacional.

Assim como ocorreu nos estudos anteriores, as análises socioespaciais de Rio Brando parte da observação dos projetos de crescimento econômico do município, sejam eles os desordenados e ordenados, mas que confirmam a concentração e/ou aumento da pobreza e desigualdades entre as populações mais vulneráveis.

Confira a análise completa na seção “Publicações”.