População indígena é a que tem menos acesso a água encanada em Belém

Segundo o Mapa das Desigualdades das capitais brasileiras, publicado em 2020, Belém aparece entre as cinco com os piores indicadores avaliados pelo Programa Cidades Sustentáveis (n=18), considerando o universo de 44 indicadores propostos no âmbito das ODS. Da mesma forma, destaca-se como a cidade que apresenta as piores taxas de esgoto tratado, percentual de domicílios com coleta seletiva de lixo, considerando a população urbana do município. Faz-se, também, a capital com maior proporção de população negra residente em aglomerados subnormais (41,75%), tendo as menores taxas de recuperação de recicláveis (0,53%) e maiores taxas de homicídio, principalmente, aqueles relacionados ao uso de armas de fogo. Estes processos desiguais redobram as condições desfavoráveis dos residentes da cidade de Belém aos efeitos das mudanças climáticas.

Os dados apresentados revelam que, apesar da maioria da população residir em domicílios tipo casa e mais da metade ter acesso ao esgotamento sanitário adequado (rede geral e fossa séptica), observa-se desigualdades étnico-raciais no acesso aos serviços de esgotamento sanitário. As mulheres e os homens indígenas são os grupos étnico-raciais que apresentam as menores proporções de acesso à rede geral de esgotamento sanitário, seguido das mulheres pelas pretas e pardas, sendo similar para os homens.